1942–2008 · 8º DAN
Um mestre que abriu caminhos no Brasil
Kyoshi Teruo Furusho ajudou a formar academias, federações e uma rede de praticantes de karate Shotokan. Sua trajetória culminou na chegada da SKIF ao Brasil.
Nascido em Cafelândia, São Paulo, e conhecido em família como Rui, fez do ensino e da organização do karate parte central de sua vida.

Percurso
01
ORIGENS
Da colônia japonesa ao dojo
Teruo Furusho nasceu em 18 de março de 1942, em Cafelândia, São Paulo. Sua família, vinda do Japão no início do século XX, viveu na região de Lins e Guaimbé. Entre a vida na colônia japonesa e os primeiros treinos de judô, formou-se seu interesse pelas artes marciais.
As raízes da família Furusho
O acervo da SKIF Brasil registra a chegada de Sussumu e Hitsuiu Furusho do Japão em 1903, com a filha Fumiko e a tia Harumi. A família se estabeleceu primeiro em Cafelândia e depois em Guaimbé. Nesse período nasceram Wilson, Akiko, Yukiko, Paulo, Edí e Teruo, chamado em casa de Rui.
Aos 17 anos, já em São Paulo, iniciou o estudo do karate na Academia Zappi. Ali treinou com Juíchi Sagara e conviveu com mestres como Iassutaka Tanaka, Tetsuma Higashino e Sadamu Uriu. Conheceu também Benedito Nelson, amizade decisiva para seus projetos futuros.
Antes de começar os treinos na academia, ouvira falar de Tanaka por vizinhos da fazenda onde morava. Mais tarde, ao se mudar para o bairro da Liberdade, trabalhou na entrega de móveis e manteve vivo o interesse pela prática.
Depois, mudou-se para o Rio de Janeiro e ingressou na Aeronáutica. O trabalho e o treinamento abriram uma nova etapa de sua trajetória.
02
FORMAÇÃO DE ESCOLAS
Lugares para ensinar e reunir
Ainda faixa marrom, ajudou Benedito Nelson a fundar a Hien Khan, no Rio Comprido. Com o crescimento dos treinos, os dois buscaram um espaço maior para a comunidade de judô e karate.
Em 1979, Furusho fundou a Butokukai com o professor de judô Yoshimassa Nagashima. Mais tarde criou a Kyohan, em São Gonçalo, e a Unicam, no Estácio, em 1992. Ali seguiu ensinando até 2008.

03
ENCONTRO DE LINHAGENS
A SKIF chega ao Brasil
Em 1986, Furusho e seus alunos mais próximos iniciaram o trabalho da SKIF no país. Naquele ano, trouxeram Hirokazu Kanazawa ao Rio de Janeiro pela primeira vez.
A partir desse encontro, organizaram a Shotokan Karate Internacional Clube do Brasil e uma rede de filiados. Em uma época anterior à comunicação digital, cursos e encontros presenciais foram essenciais para compartilhar o ensino do mestre japonês.

04
VIDA ASSOCIATIVA
Organizar o karate também era ensinar
Furusho participou da criação da Federação Fluminense de Karate, ligada à formação da atual Federação de Karate do Estado do Rio de Janeiro. Presidiu a FKERJ na década de 1980.
Atuou como diretor técnico na fundação da Confederação Brasileira de Karate, em 1987, e fundou a Confederação de Karate Interestilos do Brasil em 1994. Seu trabalho conectou academias, professores e praticantes em diferentes frentes.

05
IN MEMORIAM
Uma rede que permanece
Kyoshi Furusho faleceu em 3 de agosto de 2008, no Rio de Janeiro. Sua memória permanece nas escolas, entidades e pessoas que ajudou a formar.
Após sua morte, Sensei Lodson Espíndola assumiu a condução da SKIF Brasil. A continuidade dessa história também passa por cada dojo que mantém vivos o estudo e o espírito de comunidade.
MEMÓRIA E CONTINUIDADE
Ensinar é deixar caminhos abertos.
Leia também: O Caratê Cidadão de Teruô Furushô, no acervo da Folha de S.Paulo.